segunda-feira, 27 de março de 2023

Aula 08 - Projeto elétrico Residencial conforme norma NBR 5410.

Segundo a NBR 5410 a distribuição dos pontos de luz e tomadas dentro de um ambiente deve obedecer aos seguintes critérios:
Para a determinação das cargas de iluminação, deve ser adotado o seguinte critério:
  • Cada ambiente deve ter pelo menos 1 ponto de luz no teto comandado por um interruptor de parede, para locação dos interruptores deve levar em conta a posição e sentido de abertura das portas e o caminho a ser percorrido pelo usuário. 
  • A potência do ponto de luz deve prever carga mínima de 100 VA, em dependências com área até 6 m², acrescida de 60 VA para cada aumento de 4 m² inteiros.
Para a determinação das cargas de tomadas gerais, deve ser adotado o seguinte critério:
  • Para cozinhas, copas, copas-cozinhas, áreas de serviço, lavanderias e locais análogos deve haver pelo menos uma tomada para cada 3,50 m ou fração de perímetro, sendo que, acima de cada bancada com largura igual ou superior a 0,30 m, deve ser prevista pelo menos uma tomada. Deve-se atribuir, no mínimo, 600VA por tomada para as 3 tomadas iniciais, adotando-se 100VA para as tomadas excedentes. 
  • No banheiros a tomada deve ser instalada junto ao lavatório e sempre a uma distância de mais de 60 cm do Box com no mínimo 600 VA por tomada.
  • Para demais cômodos com área maior do que 6,00 m² deve ser previsto uma tomada de 100VA para cada 5m de perímetro ou fração.
  • Para subsolos, garagens, varandas e sótão ou cômodo com área igual ou inferior a 6,00 m² deve haver pelo menos uma tomada de 100VA.
  • Em halls de escadaria, salas de manutenção e salas de localização de equipamentos, tais como, casas de máquinas, salas de bombas, barriletes e locais análogos deve ser prevista no mínimo uma tomada; deve ser  atribuída uma potência de no mínimo 1000 VA.
Para a determinação das cargas de tomadas específicas, deve ser adotado o seguinte critério:
  • Tomadas específicas são destinadas a alimentar equipamentos não portáteis com corrente superior a 10A, como exemplo os chuveiros, aparelhos de ar condicionado, geladeira, máquina de lavar roupa e secadora e devem ser instaladas no máximo a 1,5 m do local previsto para o equipamento a ser alimentado.
Para a determinação dos circuitos, proteções e quadro de cargas, deve ser adotado o seguinte critério:
  • Devemos prever ainda circuitos de iluminação separados dos circuitos de TUGs, procurando limitar a corrente total do circuito a 10A.
  • Os quadros de distribuição devem ser instalados em local de fácil acesso, o mais próximo possível do centro de carga da instalação,  possuir identificação do lado externo e identificação dos componentes.
  • Os circuitos devem ser instalados e identificados em ordem decrescente de consumo de energia, ficando portanto o circuito de maior consumo mais próximo ao disjuntor geral. 
Os principais critérios da norma para a definição dos condutores são: Seção mínima; Capacidade de condução de corrente; Queda de tensão e Sobrecarga. 
  • Inicialmente, determina-se as seções dos condutores conforme a capacidade de condução de corrente, limite de queda de tensão e agrupamento de circuito e eletrodutos.
  • Devemos agrupar cargas nos circuitos de modo a respeitar a máxima capacidade de condução de corrente dos condutores, prevendo-se ainda uma margem de segurança para acréscimos de carga (20%).
  • Posteriormente, quando do dimensionamento dos dispositivos de proteção, verifica-se a capacidade dos condutores com relação às sobrecargas e curto-circuitos.
Os principais critérios da norma para a definição da quantidade de eletrodutos, caixas de passagens e de derivação são:
  • Marcação dos pontos de consumo deve ser feita na planta baixa da edificação, em escala adequada, dos pontos de iluminação, das tomadas de uso geral, das tomadas para aparelhos específicos e dos interruptores.
  • O traçado dos eletrodutos deve ser implementado de forma a minimizar as quantidades de materiais a serem utilizados, evitando-se interferências com as outras instalações prediais (água, esgoto, gás, etc) e os elementos estruturais da construção.
  • Deve-se também atentar para os problemas de execução e manutenção, evitando-se o excesso de eletrodutos e de condutores em caixas de passagem, reduzindo-se os cruzamentos de eletrodutos no interior das paredes e lajes, posicionando as caixas em lugares de fácil acesso.
Como projetistas devemos se fundamentar nos seguintes elementos:
Em função dos resultados obtidos neste dimensionamento, é possível que haja necessidade de reavaliar alguns aspectos definidos nos itens anteriores, tais como: quantidade de condutores em um mesmo eletroduto, alteração de caminhamento de eletrodutos e a redistribuição de cargas.
A Norma NBR5410 é de fundamental importância para segurança em instalações elétricas. Todo profissional que trabalhe com eletricidade deve conhecê-la e segui-la.
Apresento aqui uma edição da: Guia do Eletricista - PRIME - Schneider Electric , onde há um exemplo de projeto cálculo de uma instalação residencial conforme NBR5410.

© Direitos de autor. 2018: Gomes; Sinésio Raimundo. Última atualização: 22/08/2018

segunda-feira, 20 de março de 2023

Aula 07 - Interruptores Diferenciais, Disjuntores, Dispositivos de Proteção conta Surto e Condutores elétricos.

Os interruptores diferenciais são dispositivo elétrico que deve estar instalado no quadro geral da moradia; sua função é desconectar a instalação elétrica de forma rápida quando existir uma fuga à terra maior que o valor de calibração do dispositivo, com o qual a instalação se desconectará antes que alguém toque o aparelho avariado, sempre que se contar com um aterramento. No caso de não contar com aterramento e que uma pessoa toque uma parte ativa, o interruptor diferencial desconectará a instalação em um tempo suficientemente curto como para não provocar danos graves à pessoa.
Os interruptores diferenciais caracterizam-se por ter diferentes sensibilidades. A corrente de sensibilidade é o valor que aparece em catálogo e que identifica o modelo. As diferentes sensibilidades são: Muito alta sensibilidade: 10 mA; Alta sensibilidade: 30 mA; Sensibilidade normal: 100 e 300 mA; Baixa sensibilidade: 0,5 e 1 A.
O tipo de interruptor diferencial usado frequentemente nas moradias e comércios é de alta sensibilidade (30 mA) já que é o que fica abaixo do limite considerado perigoso para o corpo humano.
O grau que a corrente elétrica afeta as pessoas é determinado por diferentes fatores; no seguinte gráfico observa-se como afeta o organismo a passagem de corrente em função do tempo durante o qual está passando.
No interruptor diferencial há um botão de teste, que simula um defeito na instalação e, portanto, ao ser pulsado, a instalação deverá desconectar-se. É recomendável apertar o botão periodicamente (por exemplo, uma vez por mês).
A instalação do interruptor diferencial não substitui alguma das outras medidas que devem ser tomadas para evitar contatos diretos ou indiretos.
O catálogo técnico de disjuntores diferenciais está disponível em : 18_04_03 Catálogo de Disjuntores Diferenciais Fame ;

Disjuntores Termomagnéticos

Disjuntores Termomagnéticos são dispositivos de proteção do tipo térmico e magnético, ou seja, protegem o sistema contra sobrecargas e curtos-circuitos, respectivamente. São fabricados em modelos tripolares, bipolares ou monopolares com capacidade de interrupção sob carga, ou seja, seus contatos e seus elementos de extinção do arco devem ser capazes não somente de conectar a carga sem risco algum, mas devem poder cortá-la eficazmente frente às piores condições que possam se apresentar na rede, como o caso de um curto-circuito trifásico que se origine nos seus próprios bornes de saída.
Os disjuntores termomagnéticos para baixa tensão costumam ser fabricados para tensões que vão de 127 V a 1 000 V, com intensidades nominais que comumente vão de 0,5 à 125 A (os de uso doméstico e comercial), enquanto sua capacidade de interrupção (capacidade de ruptura) pode ficar entre 5 kA e 150 kA. Sua forma construtiva costuma ser compacta para as pequenas potências e modular nos de grande potência, variando muito de um tipo para outro.
As funções principais dos disjuntores termomagnéticos são: conexão, proteção, secionamento e controle. Este tipo de dispositivo tem como problemas fundamentais o aquecimento e os esforços mecânicos. As funções de proteção em instalações de baixa tensão englobam os aspectos de proteção de materiais e equipamentos frente a Curtos-circuitos e Sobrecargas.
Curtos-circuitos: É a falha em um aparelho ou linha elétrica pelo qual a corrente elétrica passa diretamente do condutor ativo ou fase ativa ao neutro ou terra, entre duas fases no caso de sistemas polifásicos em corrente alternada ou entre polos opostos no caso de corrente contínua.
Sobrecargas: Um circuito ou instalação está com sobrecarga ou está sobrecarregada quando a soma das potências de demanda dos aparelhos que estão conectados a ele é superior à potência para a qual foi desenhado o circuito da instalação.
Suas funções e margens de manobra são acionadas pelo Disparador térmico e Disparador magnético.
Disparador térmico: Protege a linha e os motores contra sobrecargas e sua função é realizada pelos bimetais, que seguem a imagem de aquecimento térmico, desconectando o circuito para intensidades compreendidas entre 1,05 In e 1,3 In (In: corrente nominal em ampères).
Disparador magnético: Protege os cabos e motores contra curtos-circuitos. Quando a corrente de passagem ou corrente circulante ultrapassa um valor determinado, excita-se uma ou várias bobinas, que provocam a desconexão instantânea do disjuntor.
Os disjuntores termomagnéticos apresentam as seguintes vantagens de Recuperação e disparo. Quando ocorre uma sobrecarga ou curto-circuito na instalação, o mecanismo de disparo do disjuntor termomagnético atua interrompendo o serviço onde ocorreu a mesma. Posteriormente, mediante um acionamento manual ou automático, restabelece-se o serviço. Portanto, não é necessário dispor de peças de reposição. Uma vez que disparou o disjuntor termomagnético, em consequência da presencia de uma anomalia na instalação, é possível religar manualmente o mesmo. Se na hora de realizar o religamento a anomalia persiste, o mecanismo de disparo do interruptor atuará independentemente do mecanismo de comando manual, interrompendo o serviço.
Os disjuntores termomagnéticos podem ser classificados de várias formas, conforme: o tipo de aplicação; o tipo de disparadores para a proteção; Conforme o número de polos; sua capacidade de interrupção; a categoria de emprego; o modo de comando de mecanismo de manobra.
Para instalações domésticas e comerciais os disjuntores termomagnéticos são modulares, destinados a quadros de distribuição. Os valores preferenciais da corrente atribuída são: 0,5, 1, 2, 4, 6, 10 13, 16, 20, 25, 32, 40, 50, 63, 80, 100 e 125 A.
Os valores normalizados das tensões atribuídas são de 127 a 400 V, pelo qual podem ser utilizados também nas indústrias. Os disjuntores termomagnéticos são dispositivos que constam de um relé térmico bimetálico para a proteção contra sobrecargas e de um relé magnético para a proteção contra curtos-circuitos.
Conforme o número de polos os disjuntores podem ser: Unipolar; Bipolar ou Tripolar.
As características de funcionamento tempo-corrente dos disjuntores termomagnéticos expressam o tempo de funcionamento dos relés de disparo em função da sua corrente de atuação; dai denominam-se curvas de disparo. Têm duas zonas de funcionamento: Uma é a característica inversa correspondente ao relé de sobrecargas; A segunda zona de curto-circuitos é fixada pelo relé de ajuste mais alto.
Para os disjuntores termomagnéticos, a zona de sobrecargas vem fixada pelo comportamento de um elemento bimetálico e é a mesma para os diferentes tipos de curvas.
A zona de curtos-circuitos é determinada pelo comportamento magnético da bobina que constitui o relé.
As características de funcionamento tempo-corrente dos disjuntores termomagnéticos para aplicações de baixa potência (iluminação, tomadas, entre outros) são dadas pela tabela seguinte, onde se resumem os tipos de curvas e os parâmetros que as definem.
Como indica a tabela anterior, os disjuntores termomagnéticos também são classificados conforme a intensidade de disparo instantâneo: Tipo B; Tipo C ou Tipo D.
A zona de sobrecargas é idêntica para os três tipos, B, C, e D, definidos pela norma conforme pode ser observado na figura ao lado.
O catálogo técnico de disjuntores está disponível em : 18_04_02 Catálogo de Disjuntores Fame ;

Dispositivos de proteção contra surtos 


Dispositivos de proteção contra surtos (DPS) são equipamentos desenvolvidos com o objetivo de detectar sobre tensões transitórias na rede elétrica e desviar as correntes de surto. Estes distúrbios, são mais comuns do que muitos imaginam, ocorrendo diariamente em ambientes residenciais, comerciais e industriais.  Surto elétrico é uma onda transitória de tensão, corrente ou potência que tem como característica uma elevada taxa de variação por um período curtíssimo de tempo.  Ele se propaga ao longo de sistemas elétricos e pode causar sérios danos aos equipamentos eletroeletrônicos.
Os surtos elétricos são normalmente causados por descargas atmosféricas, manobras de rede e liga/desliga de grandes máquinas.
O catálogo técnico de dispositivo de proteção contra surto está disponível em : 18_04_03 Catálogo de Dispositivo de Proteção contra Surto.

Condutores elétricos

Os condutores elétricos constituem os principais componentes das linhas elétricas que conduzem eletricidade até as cargas elétricas. Basicamente podemos considerar três tipos de condutores elétricos: 
Fios – usados diretamente no transporte de eletricidade. Podem ser nus (sem isolação) ou com isolantes (PVC, XLPE, etc). 
Cabos – são os conjuntos de fios encordoados, isolados ou não entre si, podendo o conjunto ser isolado ou não. 
Barramento – condutor rígido, em forma de tubo ou de seção perfilada. São utilizados diretamente em equipamentos, tais como quadros de distribuição.
Cabos unipolares são cabos constituídos por um único condutor isolado e dotado de cobertura. Um cabo multipolar é constituído por dois ou mais condutores isolados e dotado de cobertura. Os condutores isolados constituintes dos cabos uni e multipolares são chamados de veias. Os cabos multipolares contendo 2, 3, 4, etc veias são chamados, respectivamente, de bipolares, tripolares, tetrapolares, etc. Nos cabos uni e multipolares, a cobertura age principalmente como proteção da isolação, impedindo seu contato direto com o ambiente. 
Em termos de materiais, os mais usados são o alumínio e o cobre. Os condutores de alumínio são mais utilizados em linhas de distribuição e transmissão de energia elétrica. As instalações de baixa tensão são constituídas basicamente por condutores de cobre.
Cabo flexível 750 v - Devido a sua excelente flexibilidade, os cabos flexíveis além de serem empregados em instalações internas fixas convencionais para ligação de luz e força, são também empregados em ligações internas de painéis, quadros e cubículos entre outros. Possuem também características antichama, o que garante a não propagação e a auto extinção do fogo. É constituído de fios de cobre nú de têmpera mole de forma redonda com encordoamento classe 5 (extraflexível). sua isolação é uma camada isolante de composto termoplástico de PVC extra-desliante.
O catálogo técnico de condutores elétricos está disponível em : 18_04_02 Catálogo de condutores elétricos Pirelli ;

© Direitos de autor. 2018: Gomes; Sinésio Raimundo. Última atualização: 15/04/2018

segunda-feira, 13 de março de 2023

Aula 06 - Eletrodutos e quadros de distribuição em instalações prediais

Os Eletrodutos tem como função de ser o percurso pelo qual os fios e cabos serão instalados para interligarem os componentes elétricos da instalação. Sua função principal é proteger os condutores elétricos contra certas influências externas (ex. choques mecânicos, agentes químicos, etc.) podendo também proteger o meio ambiente contra perigos de incêndio e de explosão. 
Os eletrodutos, que, em função do material usado podem ser metálicos ou isolantes classificam-se, segundo a IEC, em rígidos, curváveis, transversalmente elásticos e flexíveis. 
Os conduítes e eletrodutos são encontrados em duas versões respectivamente: rígidos ou flexíveis, metálicos ou plásticos. Os rígidos são mais indicados para lajes e superfícies concretadas. Na maior parte das instalações os mais usados são os flexíveis, justamente por serem de mais fácil instalação; porém, deve-se evitar executar curvas com ângulos muito fechados pois podem impedir a passagem dos fios ou cabos. 
O PVC é usado na fabricação de eletrodutos flexíveis e rígidos. Possui propriedades de isolação térmica, elétrica e à umidade, além de ser um material antichama quando formulado adequadamente. 
1. Nos eletrodutos só devem ser instalados condutores isolados, cabos unipolares ou cabos multipolares, admitindo-se a utilização de condutor nu em eletroduto isolante exclusivo, quando tal condutor destinar-se a aterramento. Um cuidado importante que se deve tomar é não carregar demais a quantidade de fios e cabos dentro de um conduíte ou eletroduto. 
2. As dimensões internas dos eletrodutos e respectivos acessórios de ligação devem permitir instalar e retirar facilmente os condutores ou cabos após a instalação dos eletrodutos e acessórios. Para isso, é necessário que: a taxa máxima de ocupação em relação à área da seção transversal dos eletrodutos não seja superior a 40% no caso de três condutores ou cabos e que não haja trechos contínuos (sem interposição de caixas ou equipamentos) retilíneos de tubulação maiores que 15 m, sendo que, nos trechos com curvas, essa distância deve ser reduzida de 3 m para cada curva de 90º. 
3. Em cada trecho de tubulação, entre duas caixas, entre extremidades, ou extremidade e caixa, podem ser previstas no máximo três curvas de 90º ou seu equivalente até no máximo 270º. Em nenhuma hipótese devem ser previstas curvas com deflexão superior a 90º. 
4. As curvas feitas diretamente nos eletrodutos não devem reduzir efetivamente seu diâmetro interno. 
5. Devem ser empregadas caixas de derivação: em todos os pontos de entrada ou saída dos condutores da tubulação, exceto nos pontos de transição ou passagem de linhas abertas para linhas em eletrodutos, os quais, nestes casos, devem ser rematados com buchas; em todos os pontos de emenda ou derivação de condutores; para dividir a tubulação em trechos não maiores do que o especificado em 2.b. 
6. As caixas devem ser colocadas em lugares facilmente acessíveis e ser providas de tampas. As caixas que contiverem interruptores, tomadas de corrente e congêneres devem ser fechadas pelos espelhos que completam a instalação desses dispositivos. As caixas de saída para alimentação de equipamentos podem ser fechadas pelas placas destinadas à fixação desses equipamentos. 
7. Os condutores devem formar trechos contínuos entre as caixas de derivação; as emendas e derivações devem ficar colocadas dentro das caixas. Condutores emendados ou cuja isolação tenha sido danificada e recomposta com fita isolante ou outro material não devem ser enfiados em eletroduto. 
8. Os eletrodutos embutidos em concreto armado devem ser colocados de modo a evitar deformação durante a concretagem, devendo ainda ser fechadas as caixas e bocas dos eletrodutos com peças apropriadas para impedir a entrada de argamassas ou nata de concreto durante a concretagem. 
9. As junções dos eletrodutos embutidos devem ser efetuadas com auxílio de acessórios estanques em relação aos materiais de construção. 
10. Os eletrodutos só devem ser cortados perpendicularmente ao seu eixo. Deve ser retirada toda rebarba susceptível de danificar as isolações dos condutores. 
11. Nas juntas de dilatação, os eletrodutos rígidos devem ser seccionados, devendo ser mantidas as
características necessárias à sua utilização (por exemplo, no caso de eletrodutos metálicos, a continuidade elétrica deve ser sempre mantida).
13. Os condutores somente devem ser enfiados depois de estar completamente terminada a rede de eletrodutos e concluídos todos serviços de construção que os possam danificar. A enfiação só deve ser iniciada após a tubulação ser perfeitamente limpa. 
14. Para facilitar a enfiação dos condutores, podem ser utilizados: guias de puxamento que, entretanto, só devem ser introduzidos no momento da enfiação dos condutores e não durante a execução das tubulações, talco, parafina ou outros lubrificantes que não prejudiquem a isolação dos condutores. 
15. Só são admitidos em instalação aparente eletrodutos que não propaguem a chama.

Todas as instalações elétricas de moradias e comércios contam com um ou mais quadros de distribuição, sendo estes os encarregados de alojar os dispositivos de proteção, segurança e de onde partem os diferentes circuitos que fornecem a energia elétrica a toda a instalação.
A função destes dispositivos de alta sensibilidade é proporcionar uma proteção às pessoas em caso de contato com a energia elétrica; tanto de forma direta com um condutor vivo ou indireta, por falha ou por derivar a uma massa metálica alguma parte ativa da instalação e ainda de proteger os condutores contra sobrecargas e curtos-circuitos.
Nas moradias, o quadro de distribuição normalmente está localizado onde se concentra a maior quantidade de circuitos, com fácil acesso para sua manobra. Nestes quadros são instalados os disjuntores termomagnéticos, o interruptor diferencial e o disjuntor geral. É necessário ter uma barra de conexão a terra conectada ao aterramento da instalação.
Os quadros podem ser de diferentes tamanhos em função da quantidade de dispositivos de proteção. As principais funções de um quadro de distribuição são: Distribuir a energia elétrica a diversos circuitos ou ramais, conforme as necessidades do usuário; Proteger de maneira independente cada circuito ou ramal contra curtos-circuitos e/ou sobrecargas; Prover a cada instalação elétrica de circuitos independentes para sua conexão ou desconexão, sem que o outro circuito da mesma rede ou instalação seja afetado.
Os quadros são compostos pelos seguintes elementos:
1. Um disjuntor termomagnético geral, para proteção contra sobrecarga e curto-circuito.
2. Um interruptor diferencial de alta sensibilidade para proteção contra contatos indiretos.
3. Disjuntores automáticos para proteção contra sobrecarga e curto-circuito, conforme a quantidade de circuitos a proteger como: iluminação, tomadas, fogão elétrico, bombas de água, aquecedor de água, etc. Do quadro de cada um destes dispositivos devem sair condutores para as diferentes cargas. As seções dos condutores devem ser dimensionadas de acordo com a potência dos aparelhos alimentados, respeitando a NBR 5410:2004.
4. Barramento de cobre eletrolítico de alta condutividade, devendo dimensionar-se com o critério do nível de curto-circuito necessário. Estas barras são instaladas na estrutura do quadro com isoladores auto-suportados. Podem ser nuas ou pintadas.
5. Barramento de cobre para aterramento, onde devem conectar-se os diferentes condutores de proteção dos circuitos e o condutor de aterramento.
Nas figuras estão descritos os circuitos de uma instalação elétrica em um quadro de distribuição. Para selecionar um quadro de uso residencial ou comercial será necessário levar em conta: Quantidade de circuitos a controlar, sendo suficiente determinar a quantidade de pólos dos dispositivos de proteção, monofásicos e trifásicos, e com este valor ir às tabelas de fabricantes onde selecionamos o modelo e tamanho. Em outros casos, a seleção realiza-se definindo a quantidade de dispositivos monofásicos, bifásicos e trifásicos, definindo depois nas tabelas o número de polos totais. O tamanho dos disjuntores a utilizar, conforme a sua capacidade. Deixar espaço para reserva.

O catálogo técnico de eletrodutos Tigre está disponível em : 18_04_01 Catálogo técnico de eletrodutos e quadros de distribuição Tigre ;
© Direitos de autor. 2018: Gomes; Sinésio Raimundo. Última atualização: 15/04/2018

segunda-feira, 6 de março de 2023

Aula 05 - Sistema de Proteção contra Descargas Atmosféricas – SPDA

Durante as tempestades observa-se queda da temperatura e aumento da umidade relativa do ar, o que diminui suas propriedades dielétricas. Ao mesmo tempo, o movimento das nuvens provoca um aumento do potencial elétrico entre elas e o solo. Esses dois fatores contribuem para eventual transferência de cargas elétricas entre nuvem e solo, isto é, uma descarga elétrica de curta duração e de alta intensidade.
Para evitar danos materiais e baixas são utilizados os pára-raios, que é que um elemento metálico situado a determinada altura e eletricamente ligado à terra, de forma que as descargas ocorram pelo caminho mais fácil, protegendo as suas imediações.
Sistema de Proteção contra Descargas Atmosféricas (SPDA) é um sistema de proteção de bens e pessoas contra os efeitos danosos de descargas elétricas de origem atmosféricas – Raios. O SPDA é parte integrante do projeto de combate a incêndios sendo exigido pelos bombeiros para liberação de alvarás, além de fazer parte do prontuário elétrico exigido pela norma regulamentadora nº10 do Ministério do Trabalho e Emprego.
É um sistema composto de três subsistemas: Captores, Descidas e Malha de Aterramento, onde cada elemento deve ser dimensionado de forma a suportar as solicitações  eletromecânicas de uma descarga direta.
Os sistemas mais comuns utilizados atualmente são os captores verticais (franklin) combinado com captores em malha (gaiola de faraday). Devido à natureza das descargas, no entanto, dificilmente a proteção poderá ser 100% segura, mas pode se aproximar disto.
Dicas para realização de um bom projeto de SPDA:
1 - Os condutores de descidas e anéis intermediários podem ser fixados diretamente na fachada das edificações ou por baixo do reboco e devem ser distribuídos ao longo do perímetro da edificação, com preferência para as quinas principais. Os condutores das descidas e dos anéis intermediários horizontais deverão ter a mesma bitola dos condutores de captação, devido à presença de descargas laterais.
2 - Para minimizar os danos estéticos nas fachadas e no nível dos terraços, podem ser usados condutores chatos de cobre.
3 - A malha de aterramento deverá ser com cabo de cobre nu #50mm² a 0,5m de profundidade no solo, interligando todas as descidas.
4 - Os eletrodos de aterramento tipo “Copperweld” deverão ser de alta camada (254 microns).
5 - As conexões enterradas deverão ser preferencialmente com solda exotérmica, onde deverá ser instalada uma caixa de inspeção de solo para proteção e manutenção.
6 - Todas as ferragens deverão ser galvanizadas a fogo, sendo portanto proibida a galvanização eletrolítica. 
7 - As equalizações de potenciais deverão ser no mínimo executadas no nível do solo e a cada 20m de altura, onde deverão ser interligadas todas as malhas de aterramento, bem como todas as prumadas metálicas da edificação e a própria estrutura da edificação.
8 -  As tubulações de gás com proteção catódica não poderão ser vinculadas diretamente. Neste caso deverá ser instalado um DPS tipo centelhador.
 9 - Todos os furos realizados na instalação do SPDA devem ser bem vedados para evitar infiltrações. Recomenda-se o uso de porcas, arruelas e parafusos em aço inox e buchas de nylon para aumentar a vida útil do SPDA.
Captores para Proteção contra Descargas Atmosféricas
A palavra captor é freqüentemente usada como sinônimo de pára-raios. Em geral, refere-se especificamente ao elemento situado no topo, que recebe diretamente o raio. O captor mais usado atualmente é o tipo Franklin, que consiste de um conjunto de algumas hastes pontiagudas para facilitar a condução, montado em um mastro vertical.
Benjamin Franklin, estabeleceu o conceito dos pára-raios e o principio de funcionamento de um sistema de proteção contra descargas atmosféricas (SPDA). O experimento consistiu em colocar uma haste metálica abaixo de uma nuvem de tempestade estabelecer o contacto com um corpo ligado à terra, para permitir descarregar. Um SPDA é composto essencialmente por três componentes, o elemento captor, os condutores de descida e o sistema de aterramento. Atualmente existe três modelos de pára-raios: o captor do tipo de Franklin, o captor de avanço à ignição (ionizantes) e a gaiola de Faraday.
Implementação SPDA através de ponta de Franklin: O captador do tipo "Franklin" é constituído por uma haste metálica , sendo a extremidade superior é pontiaguda para ter uma maior poder de acúmulo de cargas. Para implementação SPDA através de ponta de Franklin o método do ângulo de proteção é uma das formas de concepção do dispositivo captador. O edifício a proteger tem de se encontrar dentro da área de proteção das hastes captoras ou do dispositivo captação.
O raio do cone de proteção é calculado pela fórmula ao lado, sendo h a altura entre a ponta de Franklin e a superfície a proteger. O ângulo α deve ser aplicado de acordo com a superfície protegida B. O campo de proteção é dado pelo cone com vértice no captor, com geratriz que faz ângulo de 60º com a vertical, para níveis de proteção maiores esse ângulo deve ser menor.
Implementação SPDA através da gaiola de Faraday: Os dispositivos captores também podem ser determinados por meio do método da esfera. Para este método é necessário um modelo do objeto a proteger e uma esfera, que é rolada por cima do modelo. Tem de ser instalado um dispositivo captador em todos os pontos de contacto da esfera com o modelo. Outra forma de concepção do dispositivo captor é o método da malha, em que este é disposto na superfície do telhado, em forma de malha, a partir dos pontos mais sujeitos à queda de raios, desde a cumieira, cristas e arestas.
Número de descidas para Proteção contra Descargas Atmosféricas
A figura ao lado mostra a instalação padrão com apenas 1 captor. Entretanto, o número de captores deve ser dado em função da área a proteger conforme critério anterior. Todo o prédio e áreas a proteger devem estar dentro do campo de proteção. O cabo de descida é normalmente de cobre, com seção não inferior a 35 mm2. Como regra geral, a descida deve ser a mais direta possível, com o mínimo de curvas. Essas, quando necessárias, devem ter raio mínimo de 20 cm. Não deve haver emendas, exceto para o conector indicado, próximo ao solo, que permite separar as partes para medições do aterramento. Os espaçadores devem ser usados a cada 2 m no máximo e devem proporcionar um separação mínima de 20 cm entre cabo e prédio ou outras partes.
Quando se tem mais de um captor, o número de descidas deve ser dado pelo valor máximo entre as expressões abaixo:
Onde: n: número de descidas; a: área coberta do prédio em metros quadrados; h: altura do prédio em metros; p: perímetro do prédio em metros.
Se o valor de alguma parcela for fracionário, ele dever ser arredondado para o inteiro imediatamente superior.
O pára-raios foi inventado por Benjamin Franklin em 1752. Inicialmente houve resistência das religiões porque raio era considerado fúria de deus e o homem não podia interferir. A igreja católica declinou da objeção em 1769, quando um raio atingiu uma igreja perto de Veneza e provocou a ignição de uma grande quantidade de pólvora estocada nas proximidades, matando cerca de 3000 pessoas.

Manual de sistema de proteção de descarga atmosférica disponível em: Manual de Sistema de Proteção de Descarga Atmosférica Termotécnica.

Sistema de Aterramento com haste vertical

Um sistema de aterramento projetado e montado corretamente é um dos requisitos fundamentais para o bom funcionamento de um sistema elétrico, principalmente no que diz respeito a confiabilidade e segurança. 
O projeto de um sistema de aterramento deve seguir basicamente as seguintes etapas: definir o local de aterramento; realizar varias medições da resistividade do solo no local previsto; realizar a estratificação do solo com  suas respectivas camadas; definir o tipo de sistema de aterramento necessário; calcular a resistividade aparente do solo e dimensionar o sistema de aterramento.

O cálculo do sistema de aterramento com uma haste vertical cravada verticalmente em um solo homogêneo, tem uma resistência elétrica que pode ser determinada pela fórmula acima, onde L é o comprimento da haste em metro; a o diâmetro das hastes; p a resistividade do solo em ohm.metro (Ω m) e o resultado é a resistência do aterramento dado em ohms (Ω).
O valor da resistividade do solo deverá ser de preferência medido no local da instalação ou, se alguma imprecisão for tolerada, poderá ser estimado conforme lista seguinte: Lama: de 5 a 100 Ω m; Argila: de 20 a 60 Ω m; Limo: de 20 a 100 Ω m; Humus: de 20 a 150 Ω m; Argila e areia: de 80 a 200 Ω m; Turfa: de 150 a 300 Ω m; Areia: de 250 a 500 Ω m e Rocha: > 1000 Ω m.
Os aterramentos mais comuns são formados por uma ou mais hastes cilíndricas verticais, cravadas no solo e eletricamente interligadas por fios de cobre sem isolação. As hastes são em geral feitas de aço e revestidas com cobre. Essa construção reduz o custo dos materiais e aumenta a resistência mecânica, sem comprometer sensivelmente as propriedades elétricas.

Na figura temos o exemplo de um aterramento com duas hastes. Comercialmente, os comprimentos (L) e diâmetros (D) mais comuns são 2,4 e 3,0 metros e 1/2, 3/4 e 1 polegadas, respectivamente.
Nos sistemas de aterramento raramente uma única haste é o suficiente para chegarmos ao valor da resistência desejada. Analisando a fórmula acima, verificamos que as alternativas para melhorarmos este valor de resistência são aumentarmos o diâmetro da haste (limitações técnicas, e baixa relação custo-benefício), colocarmos mais hastes em paralelo, aumentarmos o comprimento da haste, reduzirmos a resistividade aparente do solo utilizando tratamento químico.

Dos itens relacionados acima a resistência de terra possuí o maior valor, assumindo maior importância, já que depende de fatores como a resistividade do solo, condições climáticas etc. dos quais não temos muitas vezes o controle. Os demais itens atingem valores menores e são mais fáceis de serem controlados.
A instalação de hastes em paralelo, reduzem significativamente o valor final da resistência de aterramento. Esta redução não segue simplesmente a lei de resistências em paralelo, em função da interferência que ocorre entre as zonas equipotenciais de cada haste.
Malhas de aterramentos
As características químicas do solo (teor de água, quantidade de sais, etc...) influem diretamente sobre o modo como escolhemos o eletrodo de aterramento. Os eletrodos mais utilizados na prática são: hastes de aterramento, malhas de aterramento e estruturas metálicas das fundações de concreto.
Haste de aterramento: A haste pode ser encontrada em vários tamanhos e diâmetros. O mais comum é a haste de 2,5 m por 0,5 polegada de diâmetro. Não é raro, porém, encontrarmos hastes com 4,0 m de comprimento por 1 polegada de diâmetro. Cabe lembrar que, quanto maior a haste, mais riscos corremos de atingir dutos subterrâneos (telefonia, gás, etc...) na hora da sua instalação.
Normalmente , quando não conseguimos uma boa resistência de terra (menor que 10 Ohms) , agrupamos mais de uma barra em paralelo. Quanto à haste, podemos encontrar no mercado dois tipos básicos: Copperweld (haste com alma de aço revestida de cobre) e Cantoneira (trata-se de uma cantoneira de ferro zincada, ou de alumínio).
Malhas de aterramento: A malha de aterramento é indicada para locais cujo solo seja extremamente seco. Esse tipo de eletrodo de aterramento, normalmente, é instalado antes da montagem do contra piso do prédio, e se estende por quase toda a área da construção. A malha de aterramento é feita de cobre, e sua “janela” interna pode variar de tamanho dependendo da aplicação, porém a mais comum está mostrada na figura.
Estruturas metálicas: Muitas instalações utilizam as ferragens da estrutura da construção como eletrodo de aterramento elétrico, qualquer que seja o eletrodo de aterramento (haste, malha, ou ferragens da estrutura), ele deve ter as seguintes características gerais: Ser bom condutor de eletricidade; Ter resistência mecânica adequada ao esforço a que está submetido; Não reagir (oxidar) quimicamente com o solo.
Tanto os locais que empregam malha de aterramento ou as estruturas prediais, como terra, normalmente apresentam um inconveniente que pode ser extremamente perigoso: a conexão com o para – raios. Notem pela figura 3, que temos um exemplo de uma malha de terra ligada ao para – raios, e também aos demais equipamentos eletroeletrônicos.
Essa é uma prática que devemos evitar, pois nunca podemos prever a magnitude da potência que um raio pode atingir. Dependendo das condições, o fio terra poderá não ser suficiente para absorver toda a energia, e os equipamentos que estão junto a ele podem sofrer o impacto.
Foi realizado o cálculo e orçamento do sistema de aterramento: Sistema de proteção de descarga atmosférica
Medida da Resistência de Aterramento
A medida da resistência de aterramento é realizada com a utilização de Terrômetro, nele há duas hastes de onde está ligado uma fonte de corrente controlada e outra haste onde há um circuito elétrico (voltímetro), composto de um ponto de injeção de corrente e um ponto de retorno dessa corrente.
O ponto de injeção de corrente é definido e a corrente é injetada por meio do sistema de aterramento a ser medido. Pode ser um ponto de aterramento da instalação ou de um equipamento. O ponto de saída da corrente pode ser obtido através de um ponto de aterramento auxiliar, composto por uma ou mais hastes interligadas.
A determinação da resistência do aterramento é obtida pela razão da tensão medida entre o sistema de aterramento sob ensaio e o eletrodo de potencial e da corrente que flui entre o aterramento e o eletrodo auxiliar de corrente.
Quanto maior a distância do eletrodo de corrente e o sistema de aterramento , maiores são as chances de não haver sobreposição das regiões de influencia da malha e do eletrodo. O eletrodo de potencial deve ser instalado em direção ao eletrodo de corrente. A resistência real do aterramento, para solos homogêneos, se dará quando o eletrodo de potencial, colocado aproximadamente 60% da distância entre o centro elétrico da malha e o eletrodo de corrente e em linha com estes, normalmente está na região do patamar.

Tratamento químico do solo

Um aterramento elétrico é considerado satisfatório quando sua resistência encontra-se abaixo dos 10 Ohms.
Quando não conseguimos esse valor, podemos mudar o número ou o tipo de eletrodo de aterramento. No caso de haste, podemos mudá-la para canaleta (onde a área de contato com o solo é maior), ou ainda agruparmos mais de uma barra para o mesmo terra. Caso isso não seja suficiente, podemos pensar em uma malha de aterramento. Mas imaginem um solo tão seco que, mesmo com todas essas técnicas, ainda não seja possível chegar-se aos 10 Ohms. Nesse caso a única alternativa é o tratamento químico do solo. O tratamento do solo tem como objetivo alterar sua constituição química, aumentando o teor de água e sal e, consequentemente, melhorando sua condutividade. O tratamento químico deve ser o último recurso, visto que sua durabilidade não é indeterminada. O produto mais utilizado para esse tratamento é o Erico - gel, e os passos para essa técnica são mostrados ao lado, após executado os 4 passos devemos misturar tudo novamente e tampar tudo com a terra “virgem” que sobrou.
Podemos encontrar no mercado outros tipos de produtos para o tratamento químico (Bentonita , Earthron , etc.), porém o Erico – gel é um dos mais modernos. Suas principais características são: Ph alcalino (não corrosivo), baixa resistividade elétrica, não é tóxico, não é solúvel em água (retém a água no local da haste).
Ter uma boa haste ou um solo favorável não basta para termos um bom aterramento elétrico. As conexões da haste com os cabos de terra , bem como a bitola do cabo terra também contribuem muito para a resistência total de aterramento.
No que se refere à bitola do fio terra , ela deve ser a maior possível. Temos abaixo uma regra prática que evita desperdícios, e garante um bom aterramento.
Para : Sf < 35 mm² ® St = 16 mm² e Sf ³ 35 mm² ® St = 0,5 Sf
Onde : Sf = a seção transversal dos cabos (fios) de alimentação do equipamento (fases) e St = a seção transversal do fio terra.
Notem que para diâmetros inferiores a 35 mm² para as fases , temos o fio terra de 16 mm² . Já para diâmetros iguais ou acima de 35 mm², o fio terra deverá ter seção transversal igual à metade da seção dos cabos de alimentação.
Quanto à conexões , devemos optar em 1º lugar pela fixação por solda do fio terra à haste . Isso evita o aumento da resistência do terra por oxidação de contato . Caso isso não seja possível, poderemos utilizar anéis de fixação com parafusos. Nesse caso porém , é conveniente que a conexão fique sobre o solo , e dentro de uma caixa de inspeção.

O arquivo para análise Sistema de Proteção de Descarga Atmosférica com Terrômetro elaborado por Sinésio Gomes pode ser baixado em: 23_09_09 Manutenção - Análise Sistema de Proteção de Descarga Atmosférica por Terrômetro.

Manual de aterramento disponível em: Manual de Aterramento Procobre.

Catálogo de componentes de aterramento disponível em: Terminais de aterramento Intelli.

© Direitos de autor. 2018: Gomes; Sinésio Raimundo. Última atualização: 01/09/2023.

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2023

Aula 04 - Controle de iluminação com interruptores e sensores.

Em geral, as instalações elétricas residenciais e comerciais podem utilizar interruptores simples, paralelos, intermediários ou ainda sensores. Embora o objetivo final seja ligar e desligar a iluminação, na maioria das vezes, cada um deles permite atender uma certa necessidade do ambiente.
Figura 01 - Interruptor Pulsador
A fim de explicar melhor as diferenças entre esses produtos e suas aplicações, apresento uma breve descrição de cada um, com alguns exemplos práticos.

Interruptor pulsador - O Interruptor pulsador possui uma gravação de campainha em seu interruptor. Quando pressionado fecha um circuito elétrico. 
Seu interruptor tem volta automática. Muito utilizado para acionamento de campainhas em geral. No diagrama unifilar da figura 01 há a indicação dos condutores de: neutro, fase, terra e retorno.

Para as instalações temos que identificar os condutores, o fio fase é o que vem do disjuntor, desde o quadro de distribuição até onde será instalado o interruptor, já o fio neutro tem origem no barramento neutro do quadro de energia, geralmente é na cor azul claro, e segue para qualquer ambiente onde estará o bocal da lâmpada, ele garante a segurança quando necessitamos substitui-la, o terceiro fio chama-se fio de retorno, que tem função essencial de ligar a lâmpada ao interruptor. Para os fios fase e de retorno, não existe regra para as cores, mas jamais poderá ser na cor azul claro (neutro) ou verde/amarelo (proteção).
Figura 02 - Interruptor Simples
As escolha da seção dos condutores adequada á instalação deve ser de; 1,5 mm para interruptores, 2,5 mm para tomadas de 10 amperes e 4 mm para tomadas de 20 amperes.
 
Interruptores simples - Quando há necessidade de ligar e desligar uma lâmpada ou um grupo de lâmpadas, a partir de um só ponto de comando, este é o tipo de interruptor indicado. 
Portanto, sua utilização é comum em ambientes como banheiros e dispensas, por exemplo. Em geral, os interruptores simples do tipo mais comum (unipolares) possuem apenas 2 terminais para a ligação dos cabos (“fios”). 
No diagrama unifilar da figura 02 há a indicação dos condutores de: neutro (azul), fase (vermelho) terra (verde) e retorno (amarelo). 

Figura 03 - Interruptor Dimmer
Interruptores Dimmer
 - O dimmer é um dispositivo elétrico rotativo, que quando está em série com uma lâmpada, tem a capacidade de alterar os valores de luminosidade produzida pela lâmpada. Para ambientes em que é necessário estar atento, geralmente o nível de iluminação é alta, já em ambientes onde a prioridade é o relaxamento e a sensação de acolhimento, o nível de iluminação baixa dá um toque especial.
Para variar a utilização dos ambientes ou para alterar a iluminação nos diferentes períodos do dia existe o dimmer, que é um componente capaz de alterar o nível de iluminação nos ambientes.
Os dimmeres mais antigos funcionam com um potenciômetro, que nada mais é do que uma resistência variável. Esse potenciômetro regula a quantidade de corrente que chega na lâmpada, sendo essa relação inversamente proporcional. Quanto maior a resistência, menor a corrente elétrica que chega na lâmpada e consequentemente, menor será a iluminação emitida. 
O dimmer é instalado de forma semelhante a instalação de um interruptor simples. Conecte o cabo de fase no borne indicado do dimmer, esse borne geralmente vem com a letra L, o cabo de retorno será instalado no outro borne do dimmer e também no soquete da lâmpada. A lâmpada também deve receber o cabo de neutro, diretamente do quadro de distribuição, assim como mostra o esquema da figura 03.

Interruptores paralelos - Os interruptores paralelos também são conhecidos como three-way. Eles permitem ligar e desligar uma lâmpada ou grupo de lâmpadas, a partir de dois locais diferentes. 
Figura 04 - Interruptores paralelos.
Assim, sua utilização é comum em corredores e dormitórios, por exemplo. Nestes últimos, é frequente encontrar um interruptor próximo à porta de acesso e outro na cabeceira da cama. 
Os interruptores paralelos mais comuns são unipolares, e possuem 3 terminais para a ligação dos cabos.
Repare que na interconexão entre os interruptores são utilizados dois fios de retorno, além do fio retorno que se conecta com a lâmpada no circuito, ou seja, em um circuito com interruptores paralelos utilizamos 3 fios de retorno.
 No diagrama unifilar da figura 04 há a indicação dos condutores de: neutro (azul), fase (vermelho) terra (verde) e de três cabos de retorno (amarelo). 

Interruptores intermediários - Os interruptores intermediários, também conhecidos como chave cruz ou ainda four-way, são utilizados em conjunto com dois interruptores paralelos. 
Figura 05 - Interruptores paralelos
e intermediário
.

Eles permitem ligar e desligar uma lâmpada ou grupo de lâmpadas, a partir de três ou mais pontos de comando. Portanto, encontram aplicação em locais como corredores e escadarias com múltiplos acessos, por exemplo.
Esses interruptores possuem 4 terminais para a ligação dos cabos. E eventualmente, podem trazer alguma marcação no corpo, para facilitar a distinção de outros produtos parecidos, que também possuem 4 terminais, como os interruptores simples bipolares.
Na instalação, utilizam-se os interruptores paralelos nos extremos, intercalando-se interruptores intermediários entre eles, em número  suficiente para atender todos os pontos de comando requeridos pelo ambiente. 
No diagrama unifilar da figura 05 há a indicação dos condutores de: neutro (azul), fase (vermelho) terra (verde) e de cinco cabos de retorno (amarelo). 

Figura 06 - Relé fotoelétrico.
Relé fotoelétrico 
- A finalidade do relé fotoelétrico é substituir o comando manual de iluminação por um comando automático. Isso significa que a lâmpada acende ao anoitecer e apaga ao amanhecer. O esquema multifilar e unifilar para instalar corretamente o relé fotoelétrico para o comando de iluminação em lâmpadas incandescentes está na figura 06.
Para o comando de lâmpadas a vapor de mercúrio, vapor de sódio e multi-vapor metálico (lâmpadas de descarga) são necessários um reator para cada lâmpada com potências equivalentes. Logo, cada lâmpada deverá ter o seu respectivo reator com potência igual à da lâmpada. 

Figura 07 - Interruptor bipolar.
Interruptor bipolar
- Os interruptores bipolares são utilizados em sistemas bifásicos para comandar lâmpadas em um único ponto de comando. Ele possui possui quatro pontos de conexão elétrica, podemos descrever ele como sendo dois interruptores simples acionados por uma única tecla. Isso ocorre para que ambas as fases sejam interrompidas no circuito, visando segurança ao trocar uma lâmpada. Como temos um circuito bifásico, não temos mais fio neutro, apenas fases, retorno e terra. Em nossa carga (lâmpada incandescente) ficam dispostos os fios de retorno.
No diagrama unifilar da figura 07 há a indicação dos condutores de: Fase R (preto), fase S (vermelho) terra (verde) e de dois cabos de retorno (amarelo). 

Figura 08 - Interruptor bipolar paralelo.
Interruptor bipolar paralelo - O interruptor bipolar paralelo é utilizado em sistemas bifásicos (duas fases). Instala-se esse interruptor para ligar e desligar lâmpadas em dois pontos de comandos dentro do mesmo ambiente, como escadarias ou corredores. Assim como os demais interruptores já apresentados, o interruptor bipolar paralelo possui como características elétricas principais 10 A  e 250 V. A Figura 8 apresenta o esquema funcional para o circuito com interruptor bipolar paralelo e lâmpada incandescente e o esquema unifilar para um circuito com interruptores bipolares paralelos e lâmpada incandescente..
Figura 09 - Sensor de presença
É possível visualizar que o interruptor paralelo possui seis pontos de conexão elétrica. Assim como ocorre com o interruptor bipolar simples, é como se tivéssemos dois interruptores paralelos sendo acionados por uma única tecla simultaneamente. De acordo com a NBR5410, é obrigatório que os pontos centrais recebam os fios fase do circuito em um dos interruptores e os outros quatro pontos, inferior e superior, recebam fios de retorno do circuito.
No diagrama unifilar da figura 06 há a indicação dos condutores de: Fase R (preto), fase S (vermelho) terra (verde) e de seis cabos de retorno (amarelo).

Sensor de presença - Os sensores de presença são comumente utilizados nas instalações elétricas residenciais, comerciais e prediais, principalmente para acionamento de lâmpadas ou portas por exemplo. Sensores de presença são basicamente dispositivos capazes de detectar movimentos de determinados corpos.
Quando o sensor detecta algum movimento um relé é acionado, fechando um contato normalmente aberto, permitindo a passagem da corrente elétrica e acionando um componente por exemplo, que neste caso será acionada uma lâmpada.
No diagrama unifilar da figura 09 há a indicação do condutor de: Fase R (preto), neutro (azul) e de retorno (amarelo).

Tomadas

As tomadas são dispositivos que permitem ligações elétricas provisórias de aparelhos portáteis industriais e eletrodomésticos. A ligação é feita através de encaixe entre o plugue (móvel) e a tomada (fixa), figura 07.
A partir de 2011, conforme o novo padrão brasileiro, só podem ser comercializados plugues com três pinos e tomadas com três furos (neutro, terra e fase), figura 08. Tais tomadas permitem a ligação de aparelhos por meio de plugues de dois e três pinos redondos. Os plugues de três pinos são utilizados em aparelhos que necessitam de aterramento. O terceiro pino (central), realiza a ligação com o fio terra, evitando que o consumidor sofra um choque elétrico ao ligar aparelhos com falha de isolação.
Figura 10 - Plugue e tomada.
O novo padrão brasileiro foi desenvolvido com o objetivo de diminuir as possibilidades de choque elétrico, incêndios e mortes. Por isso, as tomadas possuem formato em poço, o que impede o contato acidental do usuário com o pino energizado.
Configurações para os plugues e tomadas do padrão brasileiro:
  • Com diâmetro de 4 mm para corrente nominal de até 10A (TUG)
  • Com diâmetro de 4,8 mm para corrente nominal de até 20A (TUE)
Essa distinção existe para garantir que os consumidores não liguem equipamentos de alta potência em um ponto não projetado para esse fim.
As tomadas até 10A, com pinos mais finos e que são mais facilmente encontradas em nossas residências, são classificadas como tomadas de uso geral ou TUG, visto que ela podem ser aplicadas com os mais diversos tipos de equipamentos de baixa potência.
Figura 11 - Posição dos cabos.
As tomadas até 20A, com pinos mais grossos, não são encontradas em todas residências. Existem apenas em algumas delas quando o projetista fez o dever de casa. Isso porque elas são destinadas a utilização de equipamentos de potência média, de apenas alguns aparelhos específicos e que, em geral, não ficam mudando de lugar a todo momento. Estas tomadas de até 20A são classificadas como tomadas de uso específico ou TUE. Podemos classificar como TUE as tomadas que serão utilizadas para alimentar, por exemplo, lavadoura de roupas, forno microondas, forno elétrico, ar condicionado, torneira elétrica, chuveiro elétrico, secador de cabelo, dentre outros.
Figura 12 - Chuveiro.
O chuveiro no diagrama elétrico ele é considerado como um ponto de TUE, mas na ligação elétrica física, como em 95% ele possui uma corrente superior a 20A, ele não poderá utilizar a tomada e plugue para 20A. Neste caso, utiliza-se conectores de porcelana ou baquelite, que suporta temperaturas e correntes adequadas. Utilizar elementos plásticos em correntes elevadas é certeza de deterioração dos elementos, derretimento e possivelmente curto-circuito, figura 09. Por fim, em relação a ligação elétrica das tomadas, conforme normas brasileiras vigentes a mesma deve ser instalada para que fique a altura padronizada do piso acabado:
  • 0,30 metro (baixa)
  • 1,30 metro (média)
  • 2,20 metros (alta)
No link a seguir exemplos de diagramas unifilares para ensaio de controle de iluminação do tipo: pulsadorsimplesparalelointermediáriobipolar, bipolar paralelodimerizadofotoelétricotemporizado , automático e por relé de impulso e seu diagrama funcional . Há também o diagrama unifilar para ensaio de controle de iluminação por relé de impulso e sensor de presença e o diagrama do quadro de cargas, ambos realizado pelo Engenheiro Eletricista Márcio Luiz de Paula, para montagem em laboratório. Há também o diagrama funcional do relé de impulso 26.04 e do sensor de presença Qa19M.

As instalações serão avaliadas conforme Ficha de avaliação de instalação residencial.

© Direitos de autor. 2019: Gomes; Sinésio Raimundo. Última atualização: 28/02/2023

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2023

Aula 03 - Projeto elétrico Residencial conforme norma GED13 - CPFL.

Este exemplo de projeto aplica-se à instalação consumidora residencial de 45 metros quadrados com carga instalada até 15 kW, a serem ligadas através de padrão de entrada categoria A2 nas redes aéreas secundárias de distribuição urbana.
Esta planta baixa está disponível em:
18_07_01 Planta Baixa - ACME Residencial;
  1. O primeiro passo consiste em definir a carga instalada. A carga instalada é a soma das potências nominais em kW dos equipamentos da residência, os quais depois de concluídos os trabalhos de instalação, estão em condições de entrar em funcionamento. Esta informações podem ser organizadas em Tabela 01 - Intenção do cliente e potência requerida dos equipamentos.
  2. O segundo passo consiste determinar o fator de demanda definido pela carga instalada.
  3. O terceiro passo calculamos a demanda que é a potência em kVA, requisitada por determinada carga instalada. Esta informações podem ser organizadas em Tabela 02 - Planilha de divisão de circuitos.
  4. Por último definimos o padrão de entrada da instalação, compreendendo ramal de entrada, poste particular, caixas, proteção, aterramento e ferragens, de responsabilidade do cliente, preparada de forma a permitir a ligação de uma unidade consumidora à rede da CPFL.
O cálculo da carga instalada é básico para a determinação do tipo de atendimento e fornecimento de energia, o cálculo de demanda se aplica a instalações residenciais atendidas em baixa tensão, quando o interessado não tiver dados mais precisos quanto a sua demanda prevista.

Tabela de número mínimo de tomadas em razão dá área construída.
Exemplo de dimensionamento do padrão de entrada: Residência de aproximadamente 45 m², contendo um quarto, sala, cozinha e banheiro, e os seguintes aparelhos com potência definida. Conforme norma GED 13 - CPFL para iluminação e tomadas em Instalação Residencial devemos:
  • Considerar no mínimo o número de tomadas indicadas em tabela, em função da área construída. 
  • Considerar no mínimo um ponto de luz por cômodo ou corredor e potência igual a 100 W por ponto de luz.
  • Considerar a instalação de pelo menos um chuveiro e de um ferro de passar roupas.
Tabela de fator de demanda disponível 
Neste caso para a área construída total: de 30 < S < 50 (m²);
  • 1 ponto de iluminação para cada cômodo com total de 600W;
  • 6 tomadas de 100 watts cada com total de 600W;
  • 3 tomadas de 600 watts cada na cozinha com total de 1800W;
Total parcial igual a 3 KW e fator de demanda de 0,66 resultando na demanda parcial de 1,98 KVA.
Os interruptores e tomadas pode ser escolhidos em catálogos como o: Catálogo Técnico Bari da Alumbra.

Considerar pelo menos a instalação de um chuveiro e um ferro de passar roupas.
Como todos eletrodomésticos possuem consumo menor que 10 amperes apenas o chuveiro será instalado com tomada de uso específico.
Total parcial igual a 6,78 KW e fator de demanda de 1 resultando na demanda de aquecedores de 6,78 KVA.

Total: 6780 W, arredondando-se a unidade em kW  temos que C = 6,8 kW, com padrão de entrada A2.

O quadro de distribuição pode ser escolhido em catálogo como o: Catálogo técnico de quadro de distribuição da FAME.

Com isso definimos a instalação compreendendo ramal de entrada, poste particular, caixas, proteção, aterramento e ferragens, de responsabilidade do cliente na categoria A2, preparada de forma a permitir a ligação de uma unidade consumidora à rede da CPFL. A energia elétrica é fornecida na freqüência nominal de 60 Hz e nas tensão secundárias nominais de 127 V entre fase e neutro.
Orientações para instalação de padrão está disponível em:
18_07_03 Padrão de entrada CPFL;

Divisão dos circuitos da instalação
A instalação elétrica de uma residência deve ser dividida em circuitos terminais. Isso facilita a manutenção e reduz a interferência entre pontos de luz e tomada de diferentes áreas, a previsão dos circuitos terminais deve ser feita da seguinte maneira:
  • os circuitos de iluminação devem ser separados dos circuitos de pontos de tomadas e dos circuitos independentes;
  • todos os pontos de tomada de cozinhas, copas, copas-cozinhas, áreas de serviço, lavanderias e locais semelhantes devem ser atendidos por circuitos exclusivos;
  • todo ponto de utilização previsto para alimentar equipamento com corrente nominal superior a 10A, de modo exclusivo ou ocasional, deve constituir um circuito independente.
Após a definição dos circuito devemos calcular a corrente total e de projeto dos circuitos.
Para dar sequência e para facilitar ainda mais a compreensão, vamos criar um exemplo e aplicá-lo dentro das tabelas apresentadas. A corrente de projeto do circuito 01 - Chuveiro de 4800 watts que será dimensionado é de 37,8 A, o cabo utilizado tem isolação em PVC, visando utilizar as tabelas apresentadas, o número de circuitos dentro do eletroduto será 3  (Chuveiro, tomada e Iluminação) e o método de referência é o B1, que representa o embutido em alvenaria. 
Os eletrodutos  e quadros de distribuição pode ser escolhido em catálogo como o: Catálogo técnico de eletrodutos quadros de distribuição da Tigre .
Em seguida você deve procurar o valor de corrente mais próximo da quantidade de amperes do circuito, neste caso foi foi 6 mm² com corrente de 41A, devemos usar o valor superior. Se a aplicação dos dados foi correta, a tabela de dimensionamento vai mostrar que o cabo correto seria o de 6 mm².
No entanto é necessário levar em consideração a quantidade de circuitos dentro do eletroduto. Cada quantidade de circuitos requer um fator de correção diferente e é isso que mostra a tabela de fator de agrupamento. 
Como o nosso exemplo utilizou 3 circuitos, o fator de correção neste caso é de 0,70. Agora você deve utilizar este fator de correção na capacidade de condução do circuito de 6 mm² dentro de um eletroduto com 3 circuitos. Para isso você deve utilizar a seguinte fórmula: Iz = Ic x Fc. Onde: Iz – valor da corrente de condução do condutor corrigida; Ic – valor da corrente de condução do condutor na tabela e Fc – (fator de correção), 
Recomendações de cabos e disjuntores da Foxlux para
chuveiros: << www.foxlux.com.br>>
Neste caso temos Iz = 41A x 0,70, tendo como resultado, Iz = 28,7A, que é o resultado apresentado.
É importante observar se o valor que encontrar, no caso 28,7A é menor que a condução necessária da corrente de projeto do circuito. No exemplo utilizado a corrente é de 41A, ou seja, o cabo de 6 mm² não vai conseguir conduzir a corrente correta, necessitando de um cabo mais grosso.
Voltando para a tabela de dimensionamento, o próximo valor dentro dos dados apresentados no exemplo é o cabo de 10 mm²  com corrente de 57A. Jogando este novo valor na fórmula (Iz = Ic x Fc), do fator de correção você encontra o seguinte: Iz= 57A x 0,70, tendo como resultado, Iz = 39,9 A que é maior que a corrente total do chuveiro  37,8 A. Portanto, o cabo ideal para este exemplo apresentado é o de 10,0 mm² .

Com a escolha dos cabos finalizadas devemo escolher o disjuntor que irá realizar a proteção contra sobrecarga das instalações residenciais. Esta proteção do circuito contra sobrecargas estará garantida se as condições abaixo for assegurada:
  • IB ≤ In ≤ Iz (condição normal)
  • I2 ≤ 1,45 Iz (sobrecarga - atuação do disjuntor)
Onde: IB é a corrente de projeto do circuito; In é a corrente nominal do disjuntor; Iz é a capacidade de condução de corrente dos condutores do circuito, nas condições de instalação previstas e I2 é a corrente convencional de atuação do disjuntor (I2 = 1,35 In). Como exemplo estarei escolhendo o disjuntor a ser utilizado no chuveiro.
  • A corrente nominal (In) do disjuntor deve ser maior ou igual à corrente do circuito a ser protegido (Ib). Então: In > Ib, com isso temos: In > 37,8A, no caso 40A estará Ok.
  • A corrente nominal (In) do disjuntor deve ser igual ou menor que a corrente máxima (Iz) do fio escolhido. Então: In < Iz, com isso temos: In < 57 A, no caso 40A também estará Ok.
  • A corrente de atuação do disjuntor de 40A por sobrecarga I2 ≤ 1,45 Iz, temos: 1,35 x 40 ≤ 1,45 x 57A, com este cálculo chegamos á 54A, valor abaixo da corrente do cabo de 57A, portanto este cabo de 10 mm² pode ser utilizado.
Após definição dos circuito e condutores devemos calcular a taxa máxima de ocupação de eletrodutos em relação à área da seção transversal que não deve ser superior a 40% para três ou mais condutores ou cabos. 
Tabela de secção de condutores e taxa de ocupação de eletrodutos
disponível em: 18_08_17 Tabela de dimensionamento de eletrodutos.
Uma das formas de dimensionamento dos eletrodutos segue o seguinte roteiro:
  • determinar a seção dos condutores que irão passar no interior do eletroduto.
  • determinar a área total de cada condutor (considerando a camada de isolação) na tabela A.
  • efetuar a soma das seções totais, obtida no item anterior e determinar na tabela B ou C (na coluna 40% da área) o valor imediatamente superior ao valor da somatória e o respectivo diâmetro do eletroduto a ser utilizado.
Em uma instalação elétrica o eletroduto deve ter um diâmetro mínimo de 20mm. Outra forma de dimensionamento utiliza a tabela D, onde em função da quantidade de condutores e a seção nominal do maior condutor no eletroduto, determina-se o tamanho nominal do eletroduto.
Além desses critérios, o projetista precisa considerar também as dificuldades referentes à execução da instalação. 
Os acessórios para instalações elétricas podem ser escolhidos em catálogo como o: Catálogo técnico de produtos Foxlux para instalações.

© Direitos de autor. 2018: Gomes; Sinésio Raimundo. Última atualização: 15/07/2018